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ARTIGOS DO SEMANÁRIO REGIONAL TORREJANO, "O ALMONDA". por Carlos Leitão Carreira

sexta-feira, março 31, 2006

Artigo de Opinião: - 560: Comprar Nacional -



Ao adquirir algum produto, seja ele qual for, todos nós reparámos já num pequeno rectângulo branco, preenchido por um conjunto de listas negras na vertical e de grossura variável. É aquilo a que se chama o “Código de Barras”. Mas quem diria que essa banal e desinteressante componente de uma qualquer embalagem, pode constituir uma arma contra a estagnação da nossa economia, contra a morte da agricultura e da indústria nacional às mãos da importação e contra o desemprego? É verdade, é mesmo verdade. Tão simples quanto isto, ao escolher um determinado produto, verifique o respectivo “código de barras”. Geralmente, esse código é constituído por 13 dígitos (que estão colocados por baixo das barras negras), ora, caso os primeiros 3 dígitos formem um “560”, há uma grande probabilidade desse produto ser de fabrico português, logo, com mão-de-obra portuguesa.



Mas porquê este apelo? Ultimamente, todos temos visto e ouvido falar nos telejornais de um encerramento quase diário de fábricas e empresas que perecem em benefício da produção estrangeira. Com elas ficam no desemprego as famílias portuguesas, pais e mães, gente com prestações a pagar, gente que organiza uma vida em torno de um grupo, ao qual dedicam o seu tempo e esforço, e que, de repente desaparece. Naturalmente estas pessoas vão engrossar os centros de emprego pelo país fora, bem como as concessões de subsídio. Pessoas que raramente dispõem de outro tipo de formação, pelo que se torna quase impossível encontrar trabalho com a rapidez necessária. Tudo isto, claro, sem esquecer a enorme frustração e desespero em que caem estas famílias.


Campanha feita pelo grupo Auchan, apelando ao consumo de produtos nacionais.




É certo, poderão dizer-me que isso é fruto da concorrência estrangeira, que a economia de mercado é assim mesmo, que são os novos tempos, que as empresas pouco podem fazer senão partir em busca de mão-de-obra mais barata e igualmente ou mais qualificada, etc, etc… Outros ainda, dirão que isto é fruto da nossa Constituição e das nossas leis, que garantem direitos aos trabalhadores que não se coadunam com os lucros necessários para se poder fazer concorrência à produção estrangeira, mais barata. Ora, como nós, simples trabalhadores e consumidores, não possuímos fábricas nem somos chamados para legislar coisa nenhuma, resta-nos fazer o quê?



Bom, duvido que ir a hipermercados espanhóis ou alemães à procura de produtos mais baratos, estejamos a fazer algo de positivo nesse sentido… Ao comprarmos roupa, calçado ou todo o tipo de bugigangas “Made in China”, estamos a contribuir para o emprego nacional? Não me parece. Talvez nos pareça barato quando, por um pacote de bolachas, pagamos 0.45€ em vez de 1.20€, sem dúvida. Contudo, é provável que depois de uns anos a comprar as primeiras, acabemos por ver os impostos aumentados para pagar o subsídio de desemprego aos operários portugueses despedidos, por terem fechado as fábricas de bolachas mais caras. Enquanto isso, a fábrica das bolachas mais baratas, implantada no estrangeiro e empregando estrangeiros, enriquece e baixa ainda mais os preços (mas claro, só baixa nos locais onde ainda têm concorrência. Onde tem o monopólio até os pode aumentar). Dir-me-ão - Mas eu nem sou operário da fábrica de bolachas!! Que me importa?!” – Mas faça o seguinte, transporte o exemplo das bolachas para o vestuário, para o calçado, a carne, a pesca, metalurgia, lacticínios, electrodomésticos, automóveis, etc, etc… Talvez já o englobe a si, pois a concorrência está a estender-se a todos os sectores. Ainda me poderá dizer – Mas eu não sou operário de coisa nenhuma! Sou comerciante. – Pois acredite o caro leitor, que não há serviço absolutamente nenhum que sobreviva à ausência de poder de compra, e o sector dos serviços não se sustenta a si próprio, especialmente quando apenas os presta dentro do país de origem, como é o nosso caso. De resto, o famoso turismo estará sempre totalmente condicionado pela conjuntura internacional, logo não lhe podemos consagrar o pais. Portugal é um país pobre e, como tal, não se pode dar ao luxo de abdicar de uma agricultura e indústria que lhe alimente e sustente os serviços, ou seja, o comércio, a banca, as seguradoras ou a própria administração pública.



Vivemos hoje num mundo onde a actuação de cada indivíduo como consumidor é quase tão importante como a sua acção enquanto produtor de riqueza, ou seja, pelo trabalho que executa. Assim sendo, da mesma maneira que exigimos e nos é exigida eficiência e aprumo no trabalho que executamos, também devemos ser exigentes na racionalização e sensibilidade do consumo que praticamos. Ora, isto passa por uma cuidada reflexão sobre as consequências das nossas opções. Devemos pensar que os preços baixos dos produtos chineses ou do leste europeu têm origem na exploração desses trabalhadores, mal pagos, sem horários, sem férias, com uma protecção social precária e geralmente com trabalho infantil. Devemos pensar que os direitos dos nossos trabalhadores é que são justos e correctos, logo se os preços são mais altos é porque esse é o preço desses direitos, que são de manter. Somos democratas ou não?! É que esses países não são! Devemos pensar que ao comprarmos esses produtos estrangeiros estamos a por o nosso dinheiro fora do país. Logo, a culpa das falências não é de quem produz, de quem vende, ou do Estado que é permissivo, mas tão só do consumidor que não mede as consequências das suas opções. A prática e apelo ao consumo nacional torna-se uma possível arma ao dispor de cada um, uma opção, um contributo pessoal. Tendo em conta que a preferência pelo produto e pela produção nacional reverte para a estabilidade e independência económica de Portugal (onde é que ela já vai…!), bem como para a sobrevivência das nossas famílias, aqui fica o apelo:



Códigos de Barra iniciados em “560”, apontam para uma produção nacional, com a excepção dos produtos de peso variável (como as carnes ou os queijos), não começando por “560” mas por 26, 27, 28 ou 29. Em todo caso, verificar ainda a possível existência de uma elipse rodeando as letras “PT”, “P” ou “PORTUGAL”. É um gesto fácil e que faz a diferença. Para mais informações: http://560.adamastor.org/

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